segunda-feira, 13 de junho de 2011
As tribos urbanas
Rodeadas de códigos e normas, estudadas por sociólogos e psicólogos, mal entendidas por muitos, crescendo e se multiplicando, mudando hábitos, costumes e práticas sociais, aí estão as tribos urbanas que podem ser caracterizadas como um fenômeno juvenil dos grandes centros e que, dia após dia, ampliam sua atuação e aumentam seus adeptos. Do que se trata?
Estamos acostumados a ver jovens “normais” em nossas comunidades e/ou cidades. O máximo do diferente é alguém com um corte de cabelo não comum, ou com uma calça jeans toda rasgada, ou ainda, jovens com roupa de cor exótica e cheios de correntes, pulseiras, botons, anéis etc. Isso não parece preocupar. No máximo, causa espanto e é motivo de gozação.
Porém, por enquanto, essa atitude é característica de nossas cidades pequenas. Nos grandes centros urbanos (e o mundo se urbaniza cada vez mais), o diferente já se organiza, tem normas, leis, códigos, adeptos...
Cedo ou tarde este fenômeno da juventude moderna chegará até nós. É importante que conheçamos as razões de tal fenômeno para sabermos agir diante dele.
Punks, Skinheads, Rappers, White Powers, Clubbers, Grunges, Góticos, Drag Queens. Estes são apenas alguns grupamentos juvenis, chamados pelos sociólogos de “tribos urbanas”, encontrados diariamente nos grandes centros. As “drag queens”, tipo atualmente em destaque na mídia e considerado o mais exótico, são na verdade homens vestidos de mulher. Duas diferenças básicas as diferenciam dos travestis: não se prostituem nem modelam seus corpos com silicone ou hormônios. Ser drag significa dar vida a um personagem. Eles se preocupam com a moda, possuem uma linguagem específica e brincalhona, são irreverentes e pareciam os gêneros musicais contemporâneos. Podemos dizer que esse jeito, toda essa brincadeira, essa festa, característica das Drag Queens, vem como uma resposta a uma série de dificuldades sociais importantes.
Os Grunges, filhos legítimos da recessão mundial, nasceram em Seatle, nos Estados Unidos, e são caracterizados pela sua indumentária: bermudão abaixo dos joelhos, tênis sujos, barbichas, calças rasgadas etc. Eles transformaram o desleixo numa provocação aos “mauricinhos” e “patricinhas” (filhos de papai).
Ainda existem outros, como os Rockabillies, que amam o rock dos anos 50 e usam enormes topetes; os góticos, que cultuam as sombras e adoram poesias românticas, além dos hippies, rastafaris, metaleiros etc.
Há também as tribos pós-punk que são as mais temidas devido à sua agressividade. Entre elas estão os Carecas (skinhead brasileiro) e os White Powers (Podes dos Brancos). Ambas as trios são racistas, têm tendências nazistas e detestam homossexuais. Atualmente os punks não são encontrados com facilidade, mas ainda existem alguns grupos.
A origem de todas essas manifestações parece ser a contestação. A violência, a apatia, desleixo, a festa e a anarquia são as formas de contestação do mundo pós-moderno, dizem os sociólogos.
Sentimento de vazio
Ao analisarmos, perguntávamos o que tem por trás desse estilo de vida? Olhando a história, percebemos que muitas manifestações de repúdio e revolta com os padrões dominantes se deram de uma forma muito semelhante a esta, os Hippies, por exemplo.
Porém ficaram outras duas questões:
- Este fenômeno é um modismo, simplesmente?
- E estes jovens são assim para si ou para os outros, isto é, vestem-se e agem assim por convicção ou são assim para serem vistos e notados numa cidade/sociedade onde o anonimato é o maior medo?
Acredito que a morte da identidade pessoal promovida pela sociedade moderna e seus aparatos, não é o fim, ainda há, na alma do jovem, a capacidade de resistir a e contestar, mesmo que à margem do normal, na contra-mão da sociedade.
Acredito que o sentimento de vazio e de descontentamento vivido pelo jovem de hoje pode levar a uma resistência diante do mundo opressor, massificador e despersonalizador.
Acredito na pluralidade de opções e de estilos de vida, desde que acima de tudo esteja a vida, a liberdade, a felicidade, a construção (ou re-construção) da pessoa, não importa se ela esteja de calça azul-marinho e camisa branca ou com um macacão cor-de-abóbora da cabeça aos pés.
No "outro" para os outros
Por: Frei Cláudio Van Balen, carmelita
Ninguém é somente o que ‘é’. Não há um ‘ser’ sequer somente a partir de si e para si. Todos são ‘de’, ‘a partir de’, ‘com’ e ‘para’. Isto é, cada ser - envolvido com outros – é “relação”. Se há desígnio – qual caminho – por onde se mover, é para que sejamos “membros de um corpo” - Corpo de Cristo – irmãs e irmãos na grande, imensa e única família de Deus. Esta é a essência e o objetivo de todo ser, do existir e do realizar.
Na relação com o outro, sou revelado a mim. O outro é o portador de minha transcendência. Sem ele(s) ou ela(s), minha insignificância permanece minha prisão; e ‘com’ ele(s) ou ela(s), meu valor se revela, minha potencialidade se desdobra para que minha grandeza se construa, meu círculo se amplie, minha missão se cumpra. Graças ao ‘outro’, configuro meu rosto e ocupo meu lugar neste Universo. O outro é a garantia e o sentido de meu existir.
À luz do “outro’ em mim, percebo que dor não é somente sofrimento, sacrifício é mais que simples renúncia, doação não é só perda, mas está a serviço da vida. O outro realmente me revela o grande mistério da vida: apoderar-se é privar-se, perder é ganhar; acumular é anular-se e despojar-se é se enriquecer. É como se Deus-em-si não existisse. Somente no "outro", ele pode ser meu ‘absoluto’. Transcendente eu sou no ‘outro’.
Sou convidado, impelido a receber, a acolher o outro – hospitalidade; sou intimado a ir ao encontro do outro – conviver, visitar, viajar. Realmente, o outro é meu absoluto, sobretudo quando carece de mim ou eu tenho alguma suficiência. Há tanto vazio a meu redor; e se há pobreza em mim – carência – há também riqueza. Cruel parece ser minha realidade: vivo às custas do outro; cruel se apresenta meu entorno: segurança não há, um devora o outro.
Mistério imenso me envolve. Meu viver implica o morrer de tantos. E também eu sou convidado a morrer – só quem ousa morrer terá a dádiva de viver. O grau de me despojar será o mesmo de eu possuir. Ao redor de mim, quantos despossuídos. Posso distribuir migalhas, dando ‘coisas’; hei de ajudar a reconstruir "relações", doando-me. Segurança autêntica não é construir cadeias, mas defender direitos e promover, integrar pessoas. Este foi o testemunho de Jesus. Seja esta a nossa aprendizagem.
_____
Frei Cláudio é sacerdote carmelita, escritor e poeta em Belo Horizonte.
FONTE:ESSENTIA
Ninguém é somente o que ‘é’. Não há um ‘ser’ sequer somente a partir de si e para si. Todos são ‘de’, ‘a partir de’, ‘com’ e ‘para’. Isto é, cada ser - envolvido com outros – é “relação”. Se há desígnio – qual caminho – por onde se mover, é para que sejamos “membros de um corpo” - Corpo de Cristo – irmãs e irmãos na grande, imensa e única família de Deus. Esta é a essência e o objetivo de todo ser, do existir e do realizar.
Na relação com o outro, sou revelado a mim. O outro é o portador de minha transcendência. Sem ele(s) ou ela(s), minha insignificância permanece minha prisão; e ‘com’ ele(s) ou ela(s), meu valor se revela, minha potencialidade se desdobra para que minha grandeza se construa, meu círculo se amplie, minha missão se cumpra. Graças ao ‘outro’, configuro meu rosto e ocupo meu lugar neste Universo. O outro é a garantia e o sentido de meu existir.
À luz do “outro’ em mim, percebo que dor não é somente sofrimento, sacrifício é mais que simples renúncia, doação não é só perda, mas está a serviço da vida. O outro realmente me revela o grande mistério da vida: apoderar-se é privar-se, perder é ganhar; acumular é anular-se e despojar-se é se enriquecer. É como se Deus-em-si não existisse. Somente no "outro", ele pode ser meu ‘absoluto’. Transcendente eu sou no ‘outro’.
Sou convidado, impelido a receber, a acolher o outro – hospitalidade; sou intimado a ir ao encontro do outro – conviver, visitar, viajar. Realmente, o outro é meu absoluto, sobretudo quando carece de mim ou eu tenho alguma suficiência. Há tanto vazio a meu redor; e se há pobreza em mim – carência – há também riqueza. Cruel parece ser minha realidade: vivo às custas do outro; cruel se apresenta meu entorno: segurança não há, um devora o outro.
Mistério imenso me envolve. Meu viver implica o morrer de tantos. E também eu sou convidado a morrer – só quem ousa morrer terá a dádiva de viver. O grau de me despojar será o mesmo de eu possuir. Ao redor de mim, quantos despossuídos. Posso distribuir migalhas, dando ‘coisas’; hei de ajudar a reconstruir "relações", doando-me. Segurança autêntica não é construir cadeias, mas defender direitos e promover, integrar pessoas. Este foi o testemunho de Jesus. Seja esta a nossa aprendizagem.
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Frei Cláudio é sacerdote carmelita, escritor e poeta em Belo Horizonte.
FONTE:ESSENTIA
quinta-feira, 12 de maio de 2011
VEM AÍ O MINI LOUVAI - NÃO PERCAM!!!
MINI LOUVAI – 2011
18 e 19 de junhoPresenças: SÁBADO: DJ TCHELLO / BANDA REFLEXUS / BANDA SAL E LUZ / BANDA LUZ DA VIDA
DOMINGO: DJ ROMULO / BANDA FILHOS DO CÉU / BANDA SINAIS DE SALVAÇÃO / GRUPO DE RAP ABN
Participações: MINISTÉRIO DE DANÇA ANJOS SUBLIME / GRUPO DE DANÇA JUM
Horário: 17:00 HS
Local: RUA DRESDE, 37 – JARDIM EUROPA – VENDA NOVA – BH - MG
Valor: SÁBADO: PRIMEIRO LOTE ATÉ 12 DE JUNHO R$ 5,00 – SEGUNDO LOTE: R$ 7,00
DOMINGO: R$ 3,00 + 1 KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL
Informações: WARLEN – 9894-3887
PARÓQUIA SANTA CECILIA – 3453-6262
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Enquanto isso na porta da igreja...
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